Uma memória que (talvez) nunca existiu

Eu vivi uma memória que nunca existiu. Não como um sonho, bem abaixo do caminhar nas nuvens que qualquer sonho traz, por mais real que ele seja.

Havia alguém ali conosco, estávamos em viagem e ele era nosso amigo, como se sempre tivesse sido. Mas esteve lá, e somente lá, não me lembro antes, sentimos falta depois, era particular e muito fiel, vivi uma pessoa que nunca existiu. Um grande amigo, ele completava. Um desses amigos especiais de grupo.

Entre um grande e esquisito susto e algumas caipirinhas, ele esteve ali, num lugar que nunca mais voltaremos juntos. Mesmo nunca tendo existido, ele não vai nos deixar esquecer, disso eu sei, porque nós nos lembramos sempre. Todos.

Eu já fui essa pessoa que nunca existiu. Também muito amigo, presente e procurado. Correspondente. Daqueles que se não estivesse ali, algo pareceria desajustado. Não posso ser de novo, não pros mesmos. Hoje sou também só mais uma memória que (talvez) nunca existiu.

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